Informação: Professores em “guerra”…com Professores

“Toca a arrigentar as tropas, que o tempo está de feição!!!” – este comentário encontrado no blog “A educação do meu Umbigo” -maior blog nacional destinado a professores – ilustra o clima em que se desenrolou grande parte da campanha eleitoral das eleições do maior sindicato de professores do país. Ainda que, por norma, uma campanha eleitoral seja caracterizada por dinâmicas de confrontação e tensão, os níveis de crispação nesta corrida ao Sindicato de Professores da Grande Lisboa(SPGP) foram particularmente elevados.

A história do duelo entre a Lista A, presidida por António Avelãs, e a Lista B, presidida por Francisco Santos, é um conto clássico de “continuidade vs ruptura”. Um conto imbuído de desconfianças desde o início.

A Lista B, através do seu blog oficial, acusou a 19 de Maio, a actual direcção do SPGL, cujo presidente é o recandidato António Avelãs, de favorecer a Lista A: “a Direcção do SPGL está, desde o início da campanha, a favorecer a Lista A, em detrimento das outras listas candidatas, designadamente da Lista B, que é a única outra lista concorrente à Direcção Central”.

Os motivos da acusação são explicitados:“A mais recente “habilidade” foi a de transformar a Sala de Espera dos Sócios (R/C Dt., junto à Recepção) em Sala de Apoio à Lista A. As outras listas foram remetidas pela estrutura sindical para espaços sem qualquer visibilidade (p. ex. Lista B no 4º andar). Não houve sorteio para atribuição das salas” especifica o blog oficial da Lista B – Professores Unidos. A referida lista entendeu o caso como “uma inaceitável falta de isenção e um abuso de poder”, e prometeu que “a Lista B /Professores Unidos (…) não deixará de apresentar o devido protesto e de tomar as medidas necessárias para garantir a reposição da igualdade no tratamento das listas” assumindo a intenção de retaliar.

As denúncias e acusações contra a actual direcção do SPGL, constituída na maioria por integrantes da Lista A, sucederam-se. Uma delas – a de que a direcção andaria a gastar dinheiro dos seus sócios para uso pessoal – mereceu mesmo uma reacção do Presidente da SPGL e da Lista A, António Avelãs:

“1. A acusação de que a direção do SPGL gasta dinheiro dos sócios em mariscadas é tão verdadeira como a de que os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço.
2. Este tipo de mentiras são usadas pela direita e extrema direita para denegrir os sindicatos e os sindicalistas. Entristece-me ver o Francisco Santos a alimentar essa campanha.”.

Do outro lado das trincheiras, os membros da Lista A defendem-se, contra-atacando com as alegações de que a Lista B pratica uma campanha baseada em “boatos e ataques pessoais por não possuírem capacidade para debater ideias” conforme defenderam alguns membros da Lista A.

De entre os referidos ataques,  o mais gravoso terá sido dirigido contra a dirigente, e integrante da Lista A na candidatura à Direcção Geral de Lisboa, Isabel Pedrosa Branco Pires. A dirigente foi acusada de ter metido baixa médica como forma de se descartar das suas funções como educadora de infância, após o Ministério lhe ter retirado a possibilidade de estar a tempo inteiro no Sindicato.

Isabel Pedrosa Branco Pires contrapõe, afirmando que a baixa médica atribuída pela ADSE, se deve ao cancro da mama que lhe foi diagnosticado, e que, pelos mesmo motivos, se encontra a tratar da sua aposentação por incapacidade de 75%.  A dirigente declara que esses factores a impedem de poder exercer as suas funções de educadora de infância, e lamenta a calúnia de que alega ter sido alvo, por parte de “gente sem ética e capaz de tudo para atingir os seus fins”  classificação que atribuiu aos autores.

Convidado a comentar o clima da campanha e as enunciadas situações ,  Francisco Santos, candidato da Lista B, afirma “não concordar em absoluto, que haja qualquer clima de crispação na campanha, que me parece estar a ser desenvolvida de forma absolutamente civilizada e assertiva”, negando igualmente ter conhecimento da existência de boatos e ataques pessoais. O candidato refere que apenas tem conhecimento daquela que, para si, poderá ser “a única questão mais sensível (…) que é a da transferência, a meio do mandato, do coordenador de Santarém, João Paulo Videira [n.d.r. ex-membro da actual direcção do SPGL], para uma direcção geral do ministério”,  situação que não constitui, no seu entender, um ataque pessoal, mas sim um combate político contra a circulação de actores entre governo e sindicato.

O blog tentou contactar o candidato da Lista A, António Avelãs, sem sucesso até ao momento desta publicação.

por João Andrade de Oliveiros

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13 respostas a Informação: Professores em “guerra”…com Professores

  1. Santos, o “submarino” enviado para controlar os movimentos em 2008? O avaliador-relator? Ganda lutador!!!

    Votem C,D ou Z!!!

    B de ruptura com o quê?

  2. Pingback: A Roupa Suja « A Educação do meu Umbigo

  3. fjsantos diz:

    Caro jovempreocupado,
    Parece-me que o seu futuro na comunicação social poderá ser promissor.
    Pelo menos já domina razoavelmente a técnica de exploração das narrativas de tom conflituoso, quase sanguinolento, que garantem a atenção dos leitores.
    Reafirmo o que respondi na mensagem enviada: Discordo, em absoluto, que haja um clima de crispação entre as duas candidaturas. Parece-me haver grande assertividade nas propostas e a cordialidade existente passa por coisas comesinhas como ainda hoje eu ter estado, na companhia do candidato à coordenação regional de Lisboa, na Escola de Dança do Conservatório, onde aproveitámos para cumprimentar o cabeça de lista e atual presidente do SPGL, António Avelãs.
    Ainda há pouco tive a oportunidade de agradecer à secretária da direção o facto de ter reencaminhado para o meu email uma mensagem de um apoiante da LISTA B, que foi enviado para o email da direção. Pouco antes, entre o debate realizado na ES Camões e o início de mais uma reunião da Comissão Eleitoral, os representantes das quatro listas estiveram juntos a fazer uma refeição ligeira, na companhia de elementos da MAG.
    Se isto configura uma “guerra entre professores” é porque vivemos em mundos completamente diferentes.
    Um breve conselho: não se fie demasiado em quem olha as coisas de fora, usa lentes mal focadas e é deliberadamente tendenciosa em “defesa da sua dama”. É que para quem quer fazer carreira jornalística não basta saber escrever, convém cuidar de questões tão importantes como a credibilidade.
    Quanto ao resto, continuo disponível para os esclarecimentos que entender, no endereço eletrónico que indiquei.

    • Caro Francisco Santos,

      Lamento que ponha em causa a minha credibilidade, quase tanto como lamento que utilize este espaço para fazer campanha eleitoral(classifico-o dessa forma pois tinha hipótese de me contactar em privado como eu fiz quando o contactei). Queria evitar reagir, precisamente por ter acabado de escrever imparcialmente sobre o assunto, e tenho muita pena que me obrigue a fazê-lo.

      1.Recordo-lhe que quando o contactei, a versão da história que eu possuía poderia ser bastante negativa e tendenciosa(não para seu bem).

      2.Recordo-lhe que ainda não sou jornalista, que estou a escrever num blog (um espaço marcadamente de opinião), e que como tal não tinha de obdecer a qualquer tipo de deontologia ou código ético. Mesmo assim, considerei que em favor da verdade, era minha obrigação contactá-lo e permitir-lhe direito de resposta às acusações (graves) que me foram comunicadas contra a lista que preside.

      3.Se estiver recordado comuniquei-lhe, logo na altura em que o contactei, que iria escrever um artigo sobre as eleições do SPGL e que me iria centrar no clima de crispação existente entre as duas listas referidas no artigo. Negou que esse clima existisse e eu comuniquei isso mesmo, quando o podia ter ocultado para que a minha versão não fosse posta em causa. Considero por isso que vir para este espaço fingir-se de surpreendido pelo tom ou pela perspectiva do artigo, é uma atitude no mínimo dissimulada.

      4.Apesar de me ter negado o clima de guerra entre as duas listas, as acusações que afirmo terem sido feitas por parte da Lista B, bastante sérias e com um tom marcadamente violento, foram encontradas no blog da sua lista ou visualizadas antes de serem apagadas.

      5.Informo-o também que foram imputadas à sua lista outras acusações , que eu não publiquei precisamente por não ter conseguido verificar a sua veracidade. Acusaram-na, por exemplo, de ter desprestigiado o ensino primário e do 1º ciclo, coisa que não vê escrita no artigo em cima.

      6. Espero que não esteja declaradamente a chamar-me mentiroso, ou terei de escrever um novo post a comprovar ter sustentação para tudo o que escrevi em cima, mostrando para esse efeito as provas que tenho (e de nada adianta ir apagar os textos do blog pois já me precavi contra isso). Nesse cenário ficaria como alguém que desmentiu (e acusou de mentir) uma pessoa que falava a verdade…

      Já que tão atenciosamente me deixou um conselho relativamente ao meu futuro profissional, sinto-me na liberdade de retribuir, deixando um conselho para o seu. Não se desgaste, nem se disperse, em lutas desnecessárias como é este confronto comigo, nem procure fazer de mim um inimigo. Primeiro porque já me parece ter inimigos suficientes, e segundo porque posso não ser um osso tão fácil de roer como poderá julgar…

      Cumprimentos

    • O homem está disponível… sempre… em pontas dos pés…
      Relembro um episódio caricato, em Outubro passado, na Buchholz, quando santos se foi oferecer a um grupo de jornalistas para ser consultado quando fosse necessário.
      E depois saiu, nem esperando resposta, deixando toda a gente entre o riso e o nó na garganta pela figura ridícula.

  4. Isabel Pires diz:

    Responder aqui ao candidato à presidência da Lista B está completamente fora de causa. Estamos em período de reflexão e não me devo pronunciar sobre nada que respeite à campanha eleitoral, não diria “guerra”.
    Mas o colega Guinote, como não é sindicalizado, não vota, não está condicionado pelo regulamento eleitoral.

    Digo-lhe que achei interessante o seu interesse por uma campanha eleitoral sindical, do que deve ter pouca experiência. Não sei qual é a sua profissão, mas também não deve ser professor.
    Continue a investigar e a relatar que é assim que se faz um jornalista. A motivação, a curiosidade e a experiência farão de si, de certeza, um bom jornalista, bloguer, escritor, ou contador de estórias.
    Boa sorte que a vida é sua 🙂

  5. Isabel Pires diz:

    João
    Já experimentou como (em tão pouco tempo) quem se mete com esses professores classe “B” o que são capazes de fazer. Já está marcado! Não tenha medo e siga, porque vozes de burro não chegam ao céu!!!

  6. Isabel Pires diz:

    João
    Já mostrou a fibra de que é feito. A sua frontalidade e a coragem são de registar. Continue porque, é disso mesmo que precisamos. Já temos cobras e vermes que cheguem.
    Parabéns.

  7. Isabel Pires diz:

    João

    Ganhamos as eleições, o mau feitio não ajuda nada 🙂

    Leia o balanço feito pela Lista B no blogue deles.

    http://professores-unidos.blogspot.pt/2012/06/spgl-eleicoes.html

    Felicidades.

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