Os privilegiados e os outros – Parte II

Podem ler a primeira parte aqui: https://cronicasdeumjovempreocupado.wordpress.com/2012/06/06/os-privilegiados-e-os-outros-parte-1/

António Borges é inadmissível. Penso que é ponto assente. Todavia, e como referi na primeira parte, apenas somos obrigados a lidar com a sua existência ultrajante, porque Passos Coelho assim o entendeu.

E no entanto, por mais estranho que possa parecer, o julgamento que faço de Passos é menos severo do que aquele que faço de Borges. Mesmo tendo em conta que este último só “existe” por culpa do primeiro.

Porque o nosso primeiro-ministro é um pateta. E um privilegiado. E por estar consciente disso não o posso responsabilizar demasiado. Ensinaram a Passos que o melhor caminho é o que temos seguido e que o mundo está organizado da forma como deve estar. Ele acreditou. E uma vez que a sua vida não tem sido exposta a grandes privações, Passos não pode acreditar que seja assim tão mau.

Para além disso, só existem dois tipos de políticos. Uns servem para convencer e outros para ser convencidos. E o problema é que Passos está claramente no segundo grupo. É apenas fruto do que os outros lhe contam.

Sempre que ouço o primeiro-ministro falar, noto uma pessoa perdida e confusa. Passos sabe que aquilo que tem feito não está a resultar, que a receita que ele acreditava ser a solução para todos os problemas apenas serviu para os agravar. Mas Passos foi e continua a ser, convencido que é assim que tem de ser. O que provoca a tal confusão que origina declarações como a que fez há dois dias atrás.

Passos não faz a menor ideia do que é preciso fazer, e como tal, insistiu na única solução que conhece, que é austeridade. “As famílias devem reduzir os seus custos a níveis que podem suportar” recomendou o nosso Primeiro-Ministro. Apenas não explicou como reduzir custos de famílias que vivem há muito com o mínimo indispensável à sobrevivência ou a uma vida digna. Ou talvez o tenham convencido que ainda se vive bem em Portugal.

A receita sugerida parece, aliás, ser muito mais rigorosa do que Passos considera necessário (cá está o lado confuso do senhor). É que o Primeiro-Ministro pede-nos para reduzir custos como o Estado tem estado a fazer. E o estado está de facto a reduzir custos, isso é inquestionável. Contudo, os governantes não parecem estar a realizar o mesmo esforço que tem sido realizado por grande parte das famílias portuguesas.

O Gabinete do senhor Primeiro-Ministro, por exemplo, consome ao Estado mais de 150 mil euros por mês em ordenados, distribuídos por um chefe de gabinete, 10 assessores, 7 adjuntos, 3 técnicos especialistas, 11 secretárias pessoais (!!!), uma coodenadora de apoio técnico administrativo, 11 técnicos de apoio administrativo, 11 auxiliares, e 12 motoristas(!!!!).  Parece-me um bocadinho mais que o mínimo indispensável com que vive a maioria dos portugueses.

Mas depois de insinuar que não estamos a fazer o suficiente, Passos resolve vir agradecer-nos (o tal indício de uma pessoa perdida) basicamente por ainda não termos partido esta merda toda.

O que nos traz de volta à questão dos dois tipos de políticos. Passos passou imenso tempo a tentar convencer meio mundo de que não éramos a Grécia. Resultado? Acabou convencido de que de facto éramos como eles.

O que não só explica os agradecimentos que nos faz por não termos transformado o país num campo de batalha, como explica todas as exigências que tem feito aos portugueses. Por vezes pede-o como um esforço pelo bem da nação, outras como se fosse um castigo que merecemos. O que me faz pensar que Passos julga que os portugueses, tal como os gregos, não pagam impostos há largos anos…

(continua…)

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