Syriza: O início do fim. As sementes de um sonho.

O frenesim europeu à volta das eleições gregas confunde-se com a agitação em volta do partido que todos classificam como de “esquerda radical”. O Syriza colocou a europa em alvoroço porque, para o bem ou para o mal, constitui uma novidade revolucionária na monotonia política europeia.

O partido liderado pelo jovem Alexis Tsipras era até há bem pouco tempo um daqueles partidos de ideologia demasiado vincada, que fazem parte da paisagem política mas que dificilmente contribuem para a moldar. O cenário político europeu habituou-se a ser constituído maioritariamente pelo chamado “centro” que, não obstante algumas nuances de direita ou de esquerda, acaba por permitir com facilidade a convergência e concordância necessárias para implementação de uma visão política homogénea. O Syriza, para o bem ou para o mal, acaba por se revelar a primeira ameaça séria a essa tranquilidade política da Europa.

Naturalmente, um partido radical que ganhou protagonismo numa situação dramática dificilmente poderia despertar análises moderadas. As perspectivas relativas aos Syriza têm-se dividido entre uma visão messiânica que encara a vitória do partido como o início da solução de todos os problemas do mundo e a visão oposta de que uma vitória do Syriza seria o início do Apocalipse. Pessoalmente tenho dificuldade em perceber se Tsipras é um demagogo que puxou do populismo para chegar ao poder ou se de facto é apenas um cavaleiro heroico que pretende unicamente defender a justiça, independentemente das consequências.

Tenho somente certeza de duas coisas. A primeira é que o Syriza demonstrou possuir algo que tem faltado à liderança de todos os parentes pobres da Europa: o Syriza tem tomates! A segunda certeza é que essa demonstração pode ter tanto de fantástico como de terrível.

Já era tempo de alguém dizer muito claramente aos decisores políticos europeus, com a senhora Merkel à cabeça, que somos mais do que meros vassalos. O Syriza fê-lo de forma inequívoca. Ousou apresentar-se a eleições enfrentando o feudalismo olhos nos olhos, gritando com rebeldia: “eu faço o que quero, não o que me mandam!”. Acontece que como qualquer rebelde, o Syriza terá, em caso de vitória, de lidar com a retaliação por parte de quem desrespeitou.

Os donos da autoridade europeia têm procurado a todo o custo evitar o triunfo da rebeldia. Sucedem-se os alertas, os avisos, as ameaças, demonstrações de indesmentível pânico. Contudo, seria ingénuo pensar que um partido radical de um país devastado e profundamente enfraquecido como a Grécia constitui um adversário capaz de ombrear, por exemplo, com a poderosa Alemanha. Pelo contrário, uma vitória do Syriza irá colocá-lo na boca do lobo, irá deixá-lo na posição de uma presa fácil para a autoridade esmagar. A Alemanha, o FMI, a comissão europeia, e todos os outros bastiões do poder político europeu, irão castigar sem piedade o Syriza caso este não ceda às suas pretensões. Porque é necessário fazer destes gregos, como de qualquer rebelde, um exemplo. Porque a grande ameaça que o Syriza constitui, reside na possibilidade de contágio.

As autoridades europeias vão assassinar, definitivamente, a Grécia, em seguida empalhar a sua cabeça, e por fim exibi-la aos restantes vassalos exclamando: “isto é o que acontece quando não seguem o nosso caminho!”. Os gregos irão sofrer, muito. Assim como o resto da Europa. Por muito que o Syriza tenha vendido a ilusão de que todos os problemas se vão dissipar e que a coragem sairá triunfante, o único resultado possível da sua vitória será a condenação de todos os europeus.

No entanto se atentarmos nos caminhos que conduziram a todas as emancipações ao longo da história, apercebemo-nos que este cenário é tremendamente semelhante.

Como Martin Luther King eu tenho um sonho. Que um dia os países sejam julgados pelo carácter dos seus cidadãos e não pelo poder dos seus políticos.

Grécia, Portugal, Alemanha, Espanha, França… caminhando lado a lado, enquanto iguais.

E toda a igualdade começou com o primeiro rebelde…

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