As lições de democracia do professor Barroso

O sentido democrático dos líderes Europeus assemelha-se bastante ao conhecimento matemático da maioria dos alunos portugueses. Ou seja, parece estar a necessitar urgentemente de explicações.

Bem sei que não é a primeira vez que me debruço sobre os tiques autoritários e pouco democráticos dos decisores políticos da nossa Europa, assim como sei que ninguém gosta de ouvir a mesma lenga-lenga vezes sem conta. Mas terão de se queixar a Durão Barroso (Zé Manel para os amigos) pela minha redundância. É ele que não me deixa outra alternativa.

O presidente da comissão europeia, conseguiu o incrível feito de revelar um paupérrimo espírito democrático enquanto defendia, imagine-se, a importância da democracia! Concordarão que se trata de uma proeza de um grau de dificuldade particularmente elevado, porém, ao alcance deste nosso compatriota.

Durão Barroso decidiu deixar um aviso claro aos participantes do G20 mesmo antes do início da cimeira.  Barroso afirma peremptoriamente que “a europa não está no G20 para receber lições de democracia ou de como gerir a sua economia”. Por outras palavras, o nosso ex primeiro-ministro, transmitiu muito claramente a mensagem de que não está aberto ao diálogo democrático e que irá ignorar qualquer contributo que não passe pela solução divina que entende, na sua autoridade, ser a única. Uma posição que se confunde com o “Orgulhosamente sós”, característico de outro nosso ex-governante que também não aceitava lições de democracia.

Mais admirável, é que o professor Barroso conseguiu transmitir esta mensagem enquanto se congratulava pelo espírito democrático Europeu, utilizando-o, aliás, como justificação para as dificuldades que a União tem sentido na resolução da sua crise económica. Talvez seja eu que esteja a precisar de lições de democracia, uma vez que tenho uma séria dificuldade em perceber estes entendimentos do presidente da Comissão Europeia.

Diz Durão que na Europa os problemas levam mais tempo a ser resolvidos, “porque somos uma União de 27 democracias que têm de encontrar o consenso necessário”. Acho curioso, porque o que tenho visto nos últimos tempos é uma democracia europeia que se resume à imposição de convicções de um reduzido número de personalidades. Que é como quem diz, às vontades da senhora Merkel.

Parece-me evidente que as posições da Imperatriz da Europa se têm revelado inquestionáveis, ao mesmo tempo que se vão levantando cada vez mais vozes a questioná-las. Vozes que não a dela, e consequentemente vozes que não interessam.

É natural que neste contexto absolutamente aberrante e quase paradoxal, em que existe apenas um caminho e uma lei, e em que a abertura para dialogar e reflectir é nula (como demonstram as declarações de Barroso), se verifiquem imensas dificuldades para perceber ao certo o que é democracia. Eu pelo menos começo a desconfiar seriamente que já não sei bem o que é.

Contudo o presidente da comissão europeia pode ficar descansado. Apesar de eu não ter compreendido a sua autoridade democrática, tenho a certeza que existe quem o tenha entendido na perfeição. E até aplaudido. Afinal, a China e a Arábia Saudita têm assento no G20.

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