Arquivo da Categoria: Política

Opinião: O multiempregado Manuel Serrão

Manuel Serrão é um multiempregado. Isto é, tem vários empregos. Toda a gente o conhece. Não por ser ligeiramente mais pesado do que uma pessoa normal, embora ninguém saiba ao certo porque razão é tão conhecido. Eu, felizmente, posso ajudar … Continuar a ler

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Opinião: A língua traiçoeira de Madame Lagarde

Christine Lagarde é, há muito tempo, uma das figuras mais importantes, influentes e poderosas da economia mundial. Contudo, nunca como esta semana Lagarde esteve tão em foco. Ou tão na mira, melhor dizendo. Christine Lagarde tem sido, ao longo do … Continuar a ler

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Opinião: Relvas Daninhas

o PÚBLICO tem vindo a publicar, sempre com a assinatura da mesma jornalista, várias peças noticiosas tendentes a construir uma narrativa que os factos não confirmam em pormenores decisivos

Miguel Relvas

Ontem recebi com surpresa a informação de que Portugal é um Estado democrático. Não uma mutação esquisita de democracia mas uma democracia como outra qualquer. Fiquei estupefacto! Ao início nem acreditei, mas depois de alguma investigação encontrei diversos testemunhos que apontam no mesmo sentido. Nunca me tinha passado pela cabeça que tal pudesse ser verdade, e ainda agora me custa um pouco a acreditar. Não por ter andado desatento durante estes anos todos, mas por ter estado demasiado atento. Sempre gostei de ver as coisas com olhos de ver, embora pareça existir muita gente que prefere olhar para as coisas de relance, só para dizer que viu, embora minutos depois não exista imagem na memória.

Esta minha surpresa é expressa somente para demonstrar a minha indignação para com o chamado “Caso Miguel Relvas”. Não se trata, no entanto, de uma surpresa efectiva. Não só estou perfeitamente ciente de que Portugal é considerado uma democracia desde 1974, como não me sinto minimamente surpreendido com esta atitude do Sr. Relvas. Tenho-o em tamanha conta que estou sempre à espera que nos presenteie com uma brincadeira deste género.

 O que mais me surpreende, e preocupa, é a tranquilidade com que o país segue o seu rumo depois do Sr. Relvas ter sentido o desejo de dar nas vistas. Com a agravante dessa tranquilidade não provir de desconhecimento, pois existe muita gente a par do que se passou. Simplesmente olharam de relance, comentaram qualquer coisa com um amigo ao almoço, e passado uns minutos já não se recordavam do sucedido.

Lembro-me que quando caíram as torres gémeas, do outro lado do Atlântico, o país ficou em suspenso durante vários meses, revoltado e em choque com a barbaridade do atentado. Durante pelo menos dois anos, não se falou de outra coisa a não ser das consequências e implicações desse ataque e dos riscos a que se encontrava exposto o mundo ocidental. Mas quando se verifica um atentado monstruoso contra determinados valores fundamentais, dentro do nosso próprio país, por via de uma atitude que coloca em sérios riscos a democracia portuguesa …o povo segue impávido e sereno. Como diriam – talvez neste caso não dissessem – os nossos amigos espanhóis: “No pasó nada”.

Relvas, que é considerado por muitos como o elemento mais influente do nosso governo, demonstrou um total desprezo pela nossa democracia. Ou talvez não a despreze, mas entenda, simplesmente, não estar abrangido por ela, que é como quem diz que se julga acima dos princípios democráticos. O seu comportamento inqualificável tem mais de déspota do que de ministro de um Estado de Direito.  Todavia, não se viram cravos. Nem cardos, nem prosas.

No fim de contas, esse é precisamente o cerne da questão. Como já referi, em relação ao Sr. Relvas sei com o que contar, já que o expectável é ver a escória comportar-se como escória. O grande problema no meio de tudo isto, é que aquilo que não deveria passar de uma manifestação incontrolável de um sociopata com delírios de grandeza, é na realidade uma acção pensada de alguém que sabe medir de forma precisa as consequências das suas acções.         

Relvas, não se julga mais do que aquilo que é, Relvas sabe precisamente aquilo que é. E por saber, conseguiu precisamente o efeito que pretendia: introduziu o medo na comunicação social.

Pode até nem ter sido bem-sucedido no objectivo de afastar o seu nome das páginas dos jornais, mas os jornalistas passaram a saber que existe alguém a vigiá-los. Os jornalistas sabem agora – ou apenas confirmam – que caso Relvas leia ou ouça uma notícia que lhe desagrade, é capaz de retaliar. E Relvas tem muito poder.

 A ameaça de ocasião à jornalista Maria José Oliveira tornou-se numa ameaça permanente à classe inteira. E que consequências nefastas sobram para o ministro no fim de tudo? Absolutamente nenhumas. Ainda deu, aliás, para o Sr. Relvas brincar mais um bocadinho, quando assumiu o papel de vítima.

Eu espero que os cidadãos em geral tenham consciência do que significa viver num país em que os jornalistas se sentem condicionados. Espero que compreendam que a percentagem da realidade e da verdade que conhecem, depende em muito da liberdade ou falta dela, daqueles que escrevem e procuram notícias.

Ou, pensando melhor, talvez prefira que não compreendam. Talvez prefira que não tenham essa consciência. Ao menos o vosso desconhecimento traz consigo uma explicação para tanta passividade, traz consigo uma justificação para o Sr. Relvas andar tão despreocupado, e traz consigo uma réstia de esperança. Permite-me acreditar que quando descobrirem as implicações dos actos do Sr. Relvas, se possam juntar a mim: indignados e preocupados.

O povo é o único interveniente que pode proteger os jornalistas dos tiranos. Tal como os jornalistas são os únicos que, contra os tiranos, podem oferecer a verdade ao povo. Sem uma das peças, nenhuma das engrenagens funciona. Agora precisam de se perguntar se querem viver com ou sem esta fórmula, conscientes de que para ela existir precisam de representar o vosso papel.

Costumo pensar que Portugal só consegue viver na revolta sem sentido ou na completa inércia…É em pensamentos como este que odeio quando acerto.

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