Durante este Euro, façam o favor de ser felizes!

Quem tem lido jornais nas últimas semanas deparou-se por certo com os Euros na maioria das capas. Com o do futebol e com o monetário que está ameaçado pela Grécia. Na primeira jornada do primeiro, os dois euros inspiravam os mesmos sentimentos em grande parte dos portugueses: ameaçavam trazer-nos infelicidade e a culpa era dos alemães. No entanto, ontem tudo mudou e ouviram-se buzinas na rua. Mas já lá vamos.

Primeiro é preciso fazer uma pausa para falar de outro tipo de sentimentos que o Euro futebolístico inspira em alguns portugueses. Em todos os momentos em que o futebol origina euforia, a ideia do “ópio do povo” surge na cabeça de muita gente. Porque a malta esquece-se dos problemas e torna-se inconsciente, dando a ideia de que o futebol é a coisa mais importante do mundo. Há quem se revolte com a situação. Naturalmente há quem sinta raiva do futebol e da irracionalidade com que contamina as mentes.

Há quem leve o patriotismo a sério, e não goste que as bandeiras, figurativamente falando, só saiam à rua quando joga a selecção. E eu estou ao lado dessas pessoas que consideram que ser Português não é ir buzinar com o cachecol ao pescoço e defender o Ronaldo por muito pouco que jogue. Não é, pelo menos não é só. Mas também não concordo que quem passa estas semanas com a cabeça na selecção se preocupa menos com o país do que quem não liga nada à bola.

Ser preocupado dá muito trabalho. Estar sempre preocupado é insuportável. É como uma dor permanente e aguda que nos leva a suspirar por analgésicos. E para o bem e para o mal, estes momentos futebolísticos ajudam a aliviar essa dor. São o alívio das preocupações constantes de todos os portugueses.

O que nos traz de novo às buzinas. À manifestação incontrolável e generalizada de alegria. Não existiu nos últimos tempos nenhum outro motivo que oferecesse aos portugueses um pretexto para festejar. E embora seja uma realidade triste, seria bem mais triste caso não existisse pretexto algum.

O futebol conseguiu ontem algo único e que todos desejaríamos que pudesse acontecer todos os dias: os portugueses esqueceram que eram pobres e os dinamarqueses esqueceram que eram ricos. Este Euro, e apenas este, conseguiu que a riqueza de um país não fosse o valor mais importante, que a felicidade ou a infelicidade de um povo não rodasse exclusivamente em redor do dinheiro. Não é esse o mundo melhor que todos imaginamos?

Eu compreendo o que leva os mais sérios a revoltar-se com o futebol. Contudo peço-vos que desfrutem das poucas alegrias de que têm oportunidade de desfrutar. Mesmo que passem apenas por uma bola numa baliza.

Como disse um dia Raúl Solnado, durante este Euro “façam o favor de ser felizes!”

Publicado em Uncategorized | Etiquetas , , , , , , , , | 2 Comentários

O último resistente Europeu

A muito pouco solidária Europa continua a observar em silêncio a conquista do “espaço vital” da Imperatriz Angela Merkel.  A todos os países que cruzam os braços por vergonha dos seus semelhantes, eu dedico esta minha adaptação do famoso poema de Martin Niemoller, que curiosamente se tornou, nos últimos tempos, tremendamente actual:

Primeiro resgataram a Grécia,
e eu cruzei os braços, porque não era grego.
Depois resgataram a Irlanda,
e eu cruzei os braços, porque não era irlandês.
A seguir resgataram Portugal,
e eu cruzei os braços, porque não era português.
De seguida resgataram a Espanha,
e eu cruzei os braços, porque não era espanhol.

Por fim resgataram-me a mim,
E já não existia ninguém para me defender…

Merkel vai anexando país atrás de país, com mais eficiência e rapidez, do que Hitler alguma vez conseguiu.

Quando a Europa acordar, arrisca-se a encontrar a fria bandeira alemã como único lençol…

Quando a Europa acordar, o seu nome será Reich…

Publicado em Uncategorized | Etiquetas , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

Os privilegiados e os outros – Parte 3

Se Passos Coelho está convencido de que somos como os gregos, eu vou procurar convencê-lo do contrário. Com três motivos bastante simples. Nós pagámos impostos, não fomos irresponsáveis e não falseámos as nossas contas públicas. Somos, aliás, muito menos próximos dos gregos do que do seu oposto.

Com um fácil exercício de memória, apercebemo-nos de que os portugueses, nos últimos 10 anos, não fizeram outra coisa se não preocupar-se em consolidar as contas públicas. Desde 2002 que só conhecem o apertar de cinto, exceptuando um ou outro delírio megalómano de Sócrates.

Portugal tem tido sempre o cinto apertado porque surge invariavelmente um motivo de força maior, um imperativo de urgência, que faz soar o alarme, que motiva a necessidade extrema de aplicação de austeridade. O que na prática se traduz não em aplicação, mas em mero agravamento.

O argumento utilizado para justificar estas medidas, quase sempre comunicadas como excepcionais, é inevitavelmente o mesmo: como gastámos mais do que aquilo que produzimos, somos obrigados a pagar o excesso.

Ora talvez não fosse mal pensado dar uma volta ao argumento: se gastamos toda a nossa energia e todos os nossos recursos a trabalhar para pagar o excesso, como vamos produzir mais do que aquilo que gastamos?

A resposta é simples, não vamos. Na verdade Portugal está a reunir todas as condições para permanecer interminavelmente escravo do endividamento. Para compreendermos o porquê vamos por momentos imaginar que Portugal é uma família.

Se uma família tem 500 euros em contas para pagar, e os seus rendimentos são de 500 euros, o orçamento disponível para outro tipo de gastos será nulo. Essa família, vamos chamar-lhe Coelho, viverá apenas para pagar as suas contas fixas.

Acontece que irão inevitavelmente surgir gastos extraordinários, as contas da água e da luz podem subir, e os impostos podem aumentar. As despesas dessa família vão portanto tornar-se superiores à riqueza que produz.

A partir desse momento a família Coelho tem duas hipóteses, ou procura aumentar as suas fontes de rendimento, por forma a conseguir fazer face às suas obrigações, ou se endivida para pagar as suas despesas.

O mais exequível, porque maior rendimento não surge por magia, seria endividar-se como veículo para conseguir investir e tentar aumentar a sua receita. Dessa forma, o aumento de riqueza da família daí decorrente, poderia conseguir responder ao aumento das despesas e cobrir o empréstimo contraído. Não é algo fácil, e é bastante falível, mas qual a alternativa?

A alternativa é a Família Coelho render-se ao endividamento para pagar o aumento da despesa. Financia os seus custos só que a despesa não desaparece, apenas muda de destinatário, e é agravada com juros. Pelo que a família Coelho apenas consegue ir fazendo face, temporariamente, por via de novos empréstimos, a uma dívida que vai sempre possuir e com contínuo agravamento.

Chegará uma altura em que a Família Coelho terá de abdicar de quase todas as suas despesas. Vai passar fome, vai viver sem água, vai pôr em causa a sua saúde para fazer face à dívida. Arrisca-se a que o Pai Coelho deixe de ter condições para trabalhar e perca definitivamente a capacidade para gerar dinheiro para a sua família. A família Coelho ficará arruinada e passará a depender de eventual caridade para sobreviver. O banco provavelmente não conseguirá recuperar todo dinheiro que emprestou, porque a família deixou de ter condições para lhe pagar.

O nosso país é a família Coelho. E caso não consiga criar condições para gerar riqueza suficiente para fazer face às suas obrigações, continuará escravo da dívida até que fatalmente encontre o seu triste fim.

Este status-quo, estes interesses dominantes, tornaram-nos escravos da dívida. Os grandes jogadores aliciaram-nos a ir jogar com eles, com promessas de obtermos mais do que aquilo que podemos ter. Observámos o exemplo dos Estados Unidos, potência económica com dívida gigantesca, e deixámo-nos seduzir pela possibilidade de um mundo em que viveríamos com mais do que conseguimos sem qualquer consequência.

O que ignorámos foi que em qualquer jogo alguém tem de ganhar e alguém tem de perder. Como em qualquer jogo, ganham os grandes jogadores. Portugal carece, e irá carecer sempre, de poder político que lhe permita jogar um jogo tão perigoso sem ser apertado. Quando se é peixe miúdo o fio é mais fácil de puxar. E o anzol está na boca desde início.

Daí a minha estupefacção por encontrar, no nosso país, tantos defensores de um sistema que nos coloca em tão desvantajosa situação.

Quando até Camilo Lourenço, alguém que tenho como pessoa ponderada, classifica uma entidade como a Moodys de “insuspeita” e afirma não perceber qual a razão para tanto negativismo dos portugueses, eu não encontro alternativa se não ficar atónito.

Sou forçado a fazer uma pausa para reflectir e identificar as causas para este fenómeno. E apercebo-me de que a explicação é bastante óbvia. A realidade a que eu tenho acesso e a realidade a que os aficcionados do sistema têm acesso são drasticamente diferentes.

(continua…)

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Os privilegiados e os outros – Parte II

Podem ler a primeira parte aqui: https://cronicasdeumjovempreocupado.wordpress.com/2012/06/06/os-privilegiados-e-os-outros-parte-1/

António Borges é inadmissível. Penso que é ponto assente. Todavia, e como referi na primeira parte, apenas somos obrigados a lidar com a sua existência ultrajante, porque Passos Coelho assim o entendeu.

E no entanto, por mais estranho que possa parecer, o julgamento que faço de Passos é menos severo do que aquele que faço de Borges. Mesmo tendo em conta que este último só “existe” por culpa do primeiro.

Porque o nosso primeiro-ministro é um pateta. E um privilegiado. E por estar consciente disso não o posso responsabilizar demasiado. Ensinaram a Passos que o melhor caminho é o que temos seguido e que o mundo está organizado da forma como deve estar. Ele acreditou. E uma vez que a sua vida não tem sido exposta a grandes privações, Passos não pode acreditar que seja assim tão mau.

Para além disso, só existem dois tipos de políticos. Uns servem para convencer e outros para ser convencidos. E o problema é que Passos está claramente no segundo grupo. É apenas fruto do que os outros lhe contam.

Sempre que ouço o primeiro-ministro falar, noto uma pessoa perdida e confusa. Passos sabe que aquilo que tem feito não está a resultar, que a receita que ele acreditava ser a solução para todos os problemas apenas serviu para os agravar. Mas Passos foi e continua a ser, convencido que é assim que tem de ser. O que provoca a tal confusão que origina declarações como a que fez há dois dias atrás.

Passos não faz a menor ideia do que é preciso fazer, e como tal, insistiu na única solução que conhece, que é austeridade. “As famílias devem reduzir os seus custos a níveis que podem suportar” recomendou o nosso Primeiro-Ministro. Apenas não explicou como reduzir custos de famílias que vivem há muito com o mínimo indispensável à sobrevivência ou a uma vida digna. Ou talvez o tenham convencido que ainda se vive bem em Portugal.

A receita sugerida parece, aliás, ser muito mais rigorosa do que Passos considera necessário (cá está o lado confuso do senhor). É que o Primeiro-Ministro pede-nos para reduzir custos como o Estado tem estado a fazer. E o estado está de facto a reduzir custos, isso é inquestionável. Contudo, os governantes não parecem estar a realizar o mesmo esforço que tem sido realizado por grande parte das famílias portuguesas.

O Gabinete do senhor Primeiro-Ministro, por exemplo, consome ao Estado mais de 150 mil euros por mês em ordenados, distribuídos por um chefe de gabinete, 10 assessores, 7 adjuntos, 3 técnicos especialistas, 11 secretárias pessoais (!!!), uma coodenadora de apoio técnico administrativo, 11 técnicos de apoio administrativo, 11 auxiliares, e 12 motoristas(!!!!).  Parece-me um bocadinho mais que o mínimo indispensável com que vive a maioria dos portugueses.

Mas depois de insinuar que não estamos a fazer o suficiente, Passos resolve vir agradecer-nos (o tal indício de uma pessoa perdida) basicamente por ainda não termos partido esta merda toda.

O que nos traz de volta à questão dos dois tipos de políticos. Passos passou imenso tempo a tentar convencer meio mundo de que não éramos a Grécia. Resultado? Acabou convencido de que de facto éramos como eles.

O que não só explica os agradecimentos que nos faz por não termos transformado o país num campo de batalha, como explica todas as exigências que tem feito aos portugueses. Por vezes pede-o como um esforço pelo bem da nação, outras como se fosse um castigo que merecemos. O que me faz pensar que Passos julga que os portugueses, tal como os gregos, não pagam impostos há largos anos…

(continua…)

Continuem a seguir este blog, fazendo like na página do facebook, onde podem consultar todas as actualizações: http://www.facebook.com/pages/Cr%C3%B3nicas-de-um-Jovem-Preocupado/242138499224021

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Os privilegiados e os outros – Parte 1

Já há uns dias que não ouviam falar de mim. Ou melhor, que já não me ouviam falar, que é o que vos interessa. Peço-vos desculpa, e juro-vos que procurei começar, várias vezes. Contudo, a cada tema que procurava abordar, surgia outro de igual ou superior gravidade. Ainda consegui falar do Serrão, mas depois surgiu Borges, surgiu Passos, surgiu Relvas, (não) surgiu Cavaco, surgiu Camilo (Lourenço). Surgiram algumas discussões privadas. Surgiram os saudosistas do Sócrates.

O resultado foi uma overdose. Ainda soltei uns espasmos no twitter, instrumento que mal domino e onde ninguém me segue. Não deu para mais.

Hoje decidi: tenho de escrever. Sobre isto. Mas sobre o quê? Tanta coisa. Debati-me com a escolha da perspectiva certa, não sabia o que deixar de fora. Só encontrei uma solução: falar de tudo. E apenas me ocorre uma forma

Ou eu sou idiota, ou alguns iluminados que ouço falar são idiotas. Não há duas hipóteses possíveis. Porque eu olho para o estado das coisas e vejo com clareza que o status-quo não funcionou, não tem funcionado, e não vislumbro no horizonte grandes hipóteses de vir a funcionar.

Os tais iluminados, pelo contrário, defendem que o curso do rio que temos seguido é o correcto, e que se algo não está a resultar, é somente por escassez de caudal.

Uma visão que fica intimamente ligada a esta semana. Uma semana que fica tragicamente marcada pela lembrança da existência de um pulha chamado António Borges. Um dos tais que acham que a austeridade precisa de maior caudal e um dos que serve de prova de que o sistema actual, não só não funciona, como constitui uma afronta à justiça, equidade, e todos os outros valores derivados.

António Borges é uma personalidade que goza de enorme prestígio por duas simples razões. Primeiro por ter trabalhado no Goldman Sachs, umas das instituições que mais terá contribuído para a crise financeira que abalou o mundo e que se encontrava recheada de génios como ele que o conseguiram levar à falência. E segundo por ter trabalhado no FMI de onde terá sido despachado por ser “incompetente”.

Ora num sistema que obedecesse aos mínimos indispensáveis de racionalidade (ou de decência), Borges estaria, no mínimo, desempregado e a lutar pela sobrevivência. Afinal ouvimos todos os dias os iluminados declarar que o mercado de trabalho é feroz, que a concorrência é muita, que se deve apontar à excelência, que é natural que quem não produz não mereça recompensa. Todavia, nesse mesmo sistema dos iluminados, existe um estatuto especial para os pulhas como Borges.

O génio da finança gozou em 2011 de 225 mil euros livres de impostos, como recompensa pelas funções (mal) exercidas enquanto director para a europa do FMI. No entanto, inevitavelmente, depois da Bonança chega a tempestade. Um incompetente como Borges poderia encontrar apenas um único destino, o despedimento. Terreno onde deveria ter permanecido durante muito tempo, se possível até à eternidade.

Mas alguém com o estatuto de Borges, não pode estar desempregado, ou ir lavar escadas como já sugeriram muitos iluminados. Não, para Borges o desemprego é de facto “uma oportunidade”. Uma oportunidade de voltar a encher os bolsos com a sua incompetência. Tudo graças a Pedro Passos Coelho, que resolveu agarrar, todos os meses, em 25 mil euros do dinheiro dos contribuintes para que Borges tome conta da pasta das privatizações. O que na prática significa que, para defender os seus interesses face aos privados, o Estado confia num ultra-liberal que endeusa os privados e despreza o papel do Estado.

Não julguem, contudo, que o divino sistema que seguimos cegamente, se limita a permitir este tipo de aberrações. Isso não seria ir mais além. O nosso sistema permite que pulhas como António Borges, tenham a cobertura mediática para poder afirmar, do alto dos seus 25 mil euros, que a solução para Portugal passa por “reduzir os ordenados dos portugueses”. E apelido Borges com este termo carinhoso, porque alguém que se atreve a defender uma redução de ordenados quando ganha cerca de 30 vezes mais o ordenado médio português, não pode ser menos que isto. Apenas mais.

(continua…)

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Informação: Um mistério chamado Ongoing: Parte 1/4 – A fénix renascida

PRÓLOGO: “Um mistério chamado Ongoing” é uma série informativa que pretende oferecer pistas que ajudem a decifrar a incógnita que tem sido este grupo empresarial português, envolvido em diversos “casos” polémicos e de quem o público em geral parece saber muito pouco. Este é o primeiro de quatro capítulos.

A Ongoing tem sido, ao longo dos últimos seis anos, uma das empresas com maior ascensão no panorama empresarial português. Assim como uma das mais mediáticas.

O primeiro registo de elevada exposição dá-se em 2006 com a aquisição da participação de 2% na PT, adquirida a Patrick Monteiro Barros. Em 2007 a família Rocha dos Santos, proprietária da empresa, estreou-se na lista das famílias mais ricas do país elaborada pela revista Exame.

A partir daí o grupo foi aumentando exponencialmente a sua projecção, e o estatuto do seu mentor acompanhou a tendência. Nuno Vasconcellos, filho de Luiz Vasconcellos e Isabel Rocha dos Santos, é a face da Ongoing. É ele o homem forte do negócio da família.

De uma empresa familiar que é reflexo do percurso empresarial dos Rocha dos Santos. Ou pelo menos foi dessa forma que Nuno Vasconcellos descreveu por diversas vezes a Ongoing.

A tradição familiar de que fala é inquestionável. Apesar da estreia na lista da Exame, a família de Isabel Rocha dos Santos possui um passado de respeito na economia portuguesa. Foi, durante largos anos, detentora da extinta Sociedade Nacional de Sabões (SNS), cujas vendas chegaram a representar 0,2% do PIB nacional.

Contudo, os pergaminhos gloriosos revelaram-se insuficientes para salvar a pérola que atravessou três gerações de falir na década de 90.

Pelo que a Ongoing surge como uma Fénix, renascida das cinzas da SNS.

Sabe-se que nos últimos seis anos a Ongoing foi dos grupos portugueses que mais investiu em acções. Não se sabe, com certezas, o que impulsionou a travessia dos Rocha dos Santos desde a falência do seu império até à construção de um novo.

A origem da pujança finaceira da Ongoing alimentou dúvidas. Mário Crespo, em 2010, verbalizou aquilo que pairava na cabeça de muita gente: “como é que numa altura em que ninguém tem dinheiro para nada aparece um grupo com dinheiro para tudo, a adquirir propriedade pública e com investimentos em propriedade pública?” questionou o jornalista.

A pergunta não teve resposta concreta, Nuno Vasconcellos falou em “perseguição”.

Continua a não ser possível identificar concretamente as causas que levaram a ascensão depois da queda, e a história conhecida do pré-Ongoing é simples e curta em episódios.

De 97 a 2004, Nuno Vasconcellos dirigiu a sucursal Portuguesa da maior consultora de liderança do mundo, a Heidrick & Struggles, cujo modelo de negócio consiste em identificar e direccionar gestores de grande valia para o mercado empresarial.

Em 2004, foi vendida a última parcela dos terrenos de Marvila pertencentes à antiga Sociedade Nacional de Sabões. Um negócio que rendeu, na totalidade, cerca 26,2 milhões de euros.

E a partir desse ano, a Ongoing passa a fazer parte do universo da família Rocha dos Santos.

No entanto, ao contrário do que a história recente pode sugerir, a criação do novo baluarte familiar não implicou o imediato regresso à glória.

Na verdade, o recém-criado grupo ameaçava tornar-se num caso bicudo. Até 2007, ano da entrada na PT, as dívidas da Ongoing ascendiam aos 800 milhões de euros, ao mesmo tempo que a fortuna da família era avaliada em 312 milhões.

A partir desse ano, a Ongoing descolou para uma ascensão meteórica que a transformou num dos maiores grupos de TMT (Telecomunicações, Media e Tecnologias), do país, com presença em Angola e Moçambique, na Ásia, e principalmente no Brasil.

Agora, envolvida nos escândalos das secretas e da maçonaria, os fantasmas da SNS surgem para alertar que a hipótese de uma queda violenta e um eventual futuro com ruínas de um império de outrora, são possibilidades reais.

Se os agoiros se confirmam, só o futuro dirá.

Por João Andrade de Oliveiros

NOTA: Para apoiar e continuar a seguir esta série informativa façam like na página do facebook:http://www.facebook.com/pages/Cr%C3%B3nicas-de-um-Jovem-Preocupado/242138499224021

Publicado em Informação | Etiquetas , , , , , | Publicar um comentário

Opinião: O multiempregado Manuel Serrão

Manuel Serrão é um multiempregado. Isto é, tem vários empregos.

Toda a gente o conhece. Não por ser ligeiramente mais pesado do que uma pessoa normal, embora ninguém saiba ao certo porque razão é tão conhecido.

Eu, felizmente, posso ajudar a esclarecer-vos, uma vez já fui pesquisar.

Manuel Serrão é um daqueles “empresários” que o seriam mesmo que não tivessem nenhuma empresa.  É um daqueles “organizadores de eventos”, como são a Maya ou a Cinha Jardim(não estou a fazer juízos de valor, mas sintam-se livres de o fazer).

Está ligado ao mundo da moda, embora quando olho para ele tenha dificuldade em avaliar se perceberá muito do assunto(mais uma vez, tirem as vossas próprias conclusões). É, também, “comentador” de quase tudo, embora nunca o tenha ouvido falar de um assunto que perceba.

Mas pelos vistos, o Manel não tem propriamente a percepção exacta do seu conhecimento, e vai daí, resolveu vir opinar sobre a situação do país.Obviamente deu asneira.

O senhor Serrão achou por bem ajudar os desempregados portugueses oferecendo-lhes parte do seu vasto conhecimento. Na crónica que escreveu para o JN, começa por avisar os desempregados de que “ter emprego pode dar trabalho”. É verdade. Excepto se formos Manuel Serrão.

Depois, avançamos um pouco mais na sabedoria das palavras de Serrão, para descobrirmos outra consideração importante deste analista de topo: “quando me dizem que uma pessoa no gozo da sua normal capacidade de trabalho e de perfeita saúde não consegue arranjar nenhum emprego, em lado nenhum do nosso país, eu lamento ter de o escrever, mas não acredito”. Confesso que a partir daqui, não me arrisquei a ler mais.

Eu sei que muitos de vocês estão já a pensar cair em cima do Manel, mas peço-vos para serem mais compreensivos. Afinal, este “empresário” demonstra uma clara “incapacidade” para o trabalho, e também não me parece ser um exemplo de grande saúde.  No entanto tem vários empregos! É perfeitamente natural que acredite que arranjar emprego é coisa fácil.

Na realidade que Manuel Serrão conhece, não arranjar emprego é uma ideia patética. Razão pela qual não tem culpa das coisas que pensa, e que consequentemente escreve.

Por isso nestas coisas, o melhor é não escrever nada. Afinal, Manuel Serrão tem muitos outros empregos com que se entreter…

Publicado em Política | Etiquetas , , , , , , , , | 3 Comentários